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À espera de ônibus, passageiros lotam estações em primeiro dia de greve em Belo Horizonte

Profissionais do transporte iniciaram a greve no início da madrugada desta segunda-feira (22).


Motoristas de ônibus de Belo Horizonte iniciaram uma greve na madrugada desta segunda-feira (22). Pela manhã, moradores da capital que precisam do transporte público para se locomover estavam com dificuldade para encontrar veículos disponíveis.


Segundo balanço da Empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), as estações estavam realizando, no máximo, 30% das viagens programadas na faixa das 6h. Na faixa das 7h, este percentual subiu para 41%. Nas estações Barreiro e Diamante, os ônibus não circularam.

Uma decisão judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, na última sexta-feira (19), determinava o funcionamento de, no mínimo, 60% da frota durante a greve, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.

Confira a porcentagem de viagens realizadas em relação às programadas na faixa das 7h, segundo a BHTrans:

  • Pampulha: 21%

  • São Gabriel: 25%

  • Barreiro: 0%

  • Diamante: 0%

  • Venda Nova: 25%

  • Vilarinho: 41%

  • São José: 21%

  • Demais linhas: 20%

De acordo com a empresa, das 1.907 viagens programadas para a faixa horária das 6h às 7h, foram realizadas 335. Cerca de 96 mil usuários deixaram de ser atendidos pelo transporte coletivo municipal.


Na estação Pampulha, havia filas e aglomerações de passageiros no início da manhã. O local abriu às 4h, mas o primeiro coletivo passou apenas às 5h40.


Segundo a Polícia Militar, até o início da manhã, houve tumulto em pelo menos três garagens. A corporação precisou intervir devido a ameaças de depredação dos veículos.


Em uma garagem no bairro Engenho Nogueira, na Pampulha, trabalhadores furaram pneus de dois ônibus para impedir a saída de outros coletivos.


No bairro Estrela do Oriente, na Região Oeste de Belo Horizonte, cinco pessoas estavam impedindo os ônibus de sair da garagem. Já no Novo Glória, na Região Noroeste, algumas estavam ameaçando quebrar os veículos.


Às 05h40, no Bairro Eymard, na Região Nordeste de Belo Horizonte, um grupo de pessoas impedia a saída dos ônibus. Uma viatura da Polícia Militar precisou escoltar quatro veículos para a estação São Gabriel.


Na Avenida Presidente Carlos Luz, no entorno do Mineirão, na Pampulha, um ônibus da linha 52, do Move, também teve os pneus furados. O motorista do coletivo disse à TV Globo que foi parado por duas pessoas em uma moto que o abordaram, impediram que ele seguisse viagem e furaram os pneus.


A greve dos ônibus já tinha sido anunciada na sexta-feira (19). Segundo o Sindicato dos Rodoviários de BH (STTRBH), entre as principais reivindicações dos profissionais, estão o reajuste salarial (INPC e perdas dos últimos anos), retorno do ticket nas férias, pagamento do abono 2019/2020 e fim da limitação do passe livre.


Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (Setra-BH) afirmou que "o setor vem enfrentando uma crise sem precedentes e que está garantindo as operações do serviço público e os empregos dos profissionais do transporte, até que a situação financeira possa ser resolvida, inclusive com a participação do titular do serviço público".


O sindicato disse que, apesar de não ter havido reajuste no valor da passagem de ônibus em 2017, 2019 e 2020, "concedeu aumento salarial para os rodoviários em 2017 e 2019".


"Entre os anos 2000 e 2007, eram transportados em média 440 milhões de passageiros por ano, já em 2008 esse número caiu para 430 milhões, em 2019 foram 350 milhões de passageiros e, em 2020, descemos ainda mais chegando a 192 milhões de passageiros. As contas não fecham", disse o presidente do SetraBH, Raul Lycurgo Leite, em nota.

Justiça determina funcionamento mínimo de 60% da frota

O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região determinou, na última sexta-feira (19), que o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Belo Horizonte e Região (STTR-BH) deve garantir o funcionamento de, no mínimo, 60% da frota durante a greve.


A decisão judicial, assinada pelo desembargador Fernando Luiz Gonçalves Rios Neto, ainda estabelece que o sindicato deve se abster de "promover depredações no patrimônio das empresas concessionárias, e obstar a entrada e a saída dos empregados que queiram ocupar seus postos de trabalho, bem como dos veículos da frota".


Além disso, ordena que a BHTrans fiscalize o cumprimento regular da ordem.


Em caso de desobediência, a Justiça definiu multa diária no valor de R$ 50 mil.


Em nota, a BHTrans afirmou que agentes da empresa estão nas estações de integração para orientar os passageiros sobre as opções de deslocamento e que as equipes da Unidade Integrada de Trânsito estão em campo, monitorando e operando o tráfego nos principais corredores e interseções viárias da cidade.

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