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02/05/2019

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Campinas terá a maior frota de ônibus elétricos do mundo, perdendo apenas para a China

Afirmação do secretário do Transporte, Carlos José Barreiro, reflete o edital da licitação lançado nesta quinta-feira, 26, que renovará o sistema de transporte coletivo da cidade

 

ALEXANDRE PELEGI

 

Campinas, município com 1,2 milhão de habitantes, 14ª cidade mais populosa do país, maior que muitas capitais brasileiras, terá um transporte à altura de seu gigantismo e importância.

 

Os números do novo sistema são expressivos: numa época em que a questão ambiental está presente nos debates que envolvem o setor de transporte público, Campinas inova ao projetar que metade da futura frota do transporte público, totalmente renovada, será composta por ônibus elétricos.

 

As informações são do secretário municipal de Transportes e presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (EMDEC), Carlos José Barreiro.

 

Em conversa com o Diário do Transporte na tarde desta quinta-feira, 29 de agosto de 2019, mesmo dia em que o Edital saiu publicado no Diário Oficial do Município, Barreiro deu alguns números gerias que demonstram a magnitude do sistema que a cidade pretende implantar. Leia também: Prefeitura de Campinas publica Edital de licitação do Transporte Coletivo

 

“É uma concorrência de quase R$ 7,5 bilhões, para 15 anos de concessão, com opção de renovação por mais 5, numa cidade que transporta cerca de 600 mil passageiros por dia útil”, destaca o secretário.

 

A concorrência envolve uma frota de 800 ônibus, que será totalmente renovada após um prazo de transição de dois anos, dos quais a metade será composta por veículos elétricos, dos quais muitos articulados que irão operar nos futuros corredores BRT da cidade. Outros percorrerão as ruas da região central do município, num perímetro chamado de Área Branca, que permitirá apenas a circulação de coletivos que ostentem tecnologia limpa, não poluente.

 

Os 400 ônibus elétricos, Barreiro destaca, responderão por 60% da capacidade dos passageiros transportados de todo o sistema, isso porque boa parte desses veículos estará operando nos corredores estruturantes, portanto serão veículos maiores, do tipo articulados.

 

“Nós estamos criando um modelo que terá uma tecnologia de ônibus não poluentes que será a maior da América, se não for do mundo, excluindo a China”, projeta Barreiro.

 

Outra questão que o secretário faz questão de citar é quanto à tecnologia embarcada do sistema de ônibus, que será “de altíssima geração”.

 

“Os ônibus terão, de uma maneira integrada, tanto a tecnologia da comercialização, que é a da bilhetagem, quanto uma tecnologia do monitoramento do sistema”. Essa última, explica Barreiro, permitirá coletar informações através de uma Central que será monitorada pela Emdec em tempo real, trazendo dados como posição do ônibus na frota, cumprimento de viagens, itinerários, horários, etc.

Essas informações formarão um banco de indicadores que medirá o desempenho operacional das futuras concessionárias, servindo como parâmetros definidores da remuneração das empresas. “São indicadores de qualidade. Empresas com melhor desempenho terão uma remuneração superior proporcionalmente àquelas que tiverem indicadores menores, pois isso demonstrará pra gente que elas estão oferecendo uma qualidade inferior no atendimento ao usuário”, explica Barreiro.

 

Outro destaque que Barreiro faz questão de ressaltar é quanto à integração do sistema, que será feita entre os dois grandes modos de operação: o atual, que é operado por ônibus convencional, e o futuro BRT, previsto para meados do ano que vem.

 

“Nosso sistema será totalmente tronco-alimentado. As seis Áreas que a cidade está dividida, cada uma delas conterá um ou dois corredores desses que chamamos de corredores estruturantes. Esses corredores receberão passageiros das linhas alimentadoras, que estarão circulando dentro dos bairros. Esse processo permitiu que aumentássemos a capilaridade do sistema: vamos atender a uma área geográfica bem maior do que atualmente”, explica o secretário.Ao longo de toda a cidade existirão estações do BRT e Terminais que permitirão a integração que, como descreve o Edital, será feita por tempo de uso, “o que altera o tradicional conceito de serviço de Transporte Coletivo Urbano, onde o passageiro paga a tarifa para utilizar a linha que estiver próxima ao percurso que lhe atende”. Nessa nova abordagem, o secretário explica que o usuário passa a pagar “pelo tempo de uso da rede de transportes, escolhendo a forma que acreditar mais conveniente para completar seu deslocamento”.Ou seja, a integração passa a ser exclusivamente temporal, e não mais física, dentro de duas horas como funciona hoje, limite de tempo que será preservado no novo sistema a ser concedido.Carlos José Barreiro afirma que as conquistas tecnológicas serão preservadas, como o aplicativo de transporte, que determina a localização do ônibus; a manutenção do sistema sem cobrador, uma vez que o dinheiro como forma de pagamento já é uma realidade na cidade; e outras inovações recentes, como o pagamento via QR Code. Leia também: Campinas elimina pagamento em dinheiro nos ônibus a partir do dia 19 e promete lançar licitação até março

 

CORREDORES BRT

 

Os futuros concessionários assumirão a operação dos corredores BRT assim que a prefeitura, que é o Poder Concedente, finalizar as obras, o que está previsto para 2020. Leia sobre: Com trechos liberados nos 3 corredores, BRT de Campinas já tem 30% de obras concluídasBarreiro frisa que a operação nesses corredores será feita exclusivamente com ônibus elétrico do tipo articulados.As Áreas 4 (Sudoeste) e 5 (Oeste) conterão os corredores do BRT. Portanto, na licitação dessas Áreas, além da operação do sistema convencional, as concessionárias que vencerem o certame serão contempladas com a concessão da operação do sistema

 

BRT.TRANSIÇÃO

 

Barreiro explica, no entanto, que nada acontecerá repentinamente, “você não consegue instalar um sistema desse estalando os dedos”, brinca. Haverá um tempo de transição, previsto no edital, para que o atual sistema de transporte de Campinas “passe o bastão“ para o novo sistema que será implantado. Serão três etapas, a serem vencidas num prazo de dois anos.A Etapa 01 deverá ocorrer no primeiro ano do contrato, especificamente no primeiro semestre contado da emissão da primeira ordem de serviço emitida para as Concessionárias. A Etapa 02 cobrirá o segundo semestre, e por fim a Etapa 03, que fechará o período de transição, com duração de 12 meses.

 

Veja a notícia na integra: https://diariodotransporte.com.br/2019/08/30/campinas-tera-a-maior-frota-de-onibus-eletricos-do-mundo-perdendo-apenas-para-a-china/

 

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes

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