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Trabalhadores do transporte urbano paralisam atividades em protesto por atraso de salário em Juiz de Fora

08/06/2020

Suspensão no serviço prestado pela empresa Gil durou cerca de quatro horas e foi retomado após negociação entre sindicato e empresa.

 

Motoristas e cobradores da Viação Goretti Irmãos Ltda (GIL) paralisaram as atividades durante a madrugada desta segunda-feira (8) por atraso no pagamento dos salários parciais, acordado entre os funcionários e as empresas de transporte coletivo de Juiz de Fora. A situação foi normalizada no início da manhã.

 

O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo Urbano (Sinttro) informou ao G1 que a paralisação iniciou às 3h da madrugada na porta da garagem da GIL e seguiu até às 7h da manhã. Os ônibus foram liberados e a operação foi normalizada por volta das 7h30.De acordo com o sindicato, a empresa não pagou integralmente a parte do acordo o feito em abril com a categoria, baseado na Medida Provisória (MP) nº 936, em que ocorre a redução de jornada e 50% dos salários seriam pagos pelo Governo Federal.O Sinttro afirmou que a empresa pagou, até a manhã desta segunda-feira, 40% do salário. Foi acordado entre representantes do sindicato e da GIL que o pagamento dos 10% restante será feito no dia 19 e no dia 26 de junho.

 

A reportagem procurou a Astransp, responsável pelo consórcio Manchester, formado pela GIL, que informou que o que ocorreu na manhã desta segunda-feira foi "um piquete do sindicato" e que os funcionários da GIL "entenderam as dificuldades da empresa e quiseram trabalhar".

 

A viação também afirmou que houve tentativa de negociação. "A empresa foi clara em suas necessidades de dividir o pagamento, mas na quinta-feira os membros do sindicato não compareceram ao encontro marcado", afirmou a GIL através de nota.

A empresa pontuou que o movimento é ilegal. "Há uma liminar, de março, que impede as paralisações por 90 dias".

 

A viação reforçou que a operação segue normal desde o início da manhã e uma nova reunião entre a Astransp e o Sinttro ocorrerá ainda nesta segunda-feira.

No dia 8 de maio, motoristas e cobradores das empresas de ônibus Tusmil, Gil e Viação São Francisco paralisaram as atividades por causa de atraso no pagamento dos salários parciais, acordado entre os funcionários e as empresas.

 

Na ocasião, a Astransp, responsável pelo consórcio Manchester, formado por Gil e Tusmil, e a Viação São Francisco, informou sobre as dificuldades financeiras no momento e da atual incapacidade do pagamento em dia dos salários integrais, bem como dos esforços mantidos pelos empresários para regularizar a situação.

 

Após negociação entre os empregadores e o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo Urbano (Sinttro), a situação foi regularizada e os ônibus foram liberados das garagens.

 

No mês de março, motoristas e cobradores de ônibus urbano também fizeram um ato. Eles paralisaram os veículos em longas filas, o que causou complicações no trânsito nas ruas e avenidas na região central da cidade. A manifestação foi realizada por causa da redução do adiantamento do salário, que é sempre pago no dia 20 de cada mês.

 

Na ocasião os consórcios responsáveis pelo transporte coletivo urbano já haviam registrado dificuldades financeiras diante das medidas adotadas para evitar a proliferação da Covid-19. Com a queda da demanda dos passageiros, havia sido adotado em caráter emergencial o pagamento do adiantamento com percentual menor do que o habitual.

 

Crise financeira nas empresas

 

No dia 20 de maio, o G1 mostrou que a Prefeitura de Juiz de Fora vai enviar à Câmara Municipal um projeto de lei que solicita a autorização para conceder um subsídio de R$ 3 milhões às empresas do transporte público.

 

O valor a ser repassado aos consórcios tem o objetivo de garantir que o atendimento à população seja mantido normalmente. As empresas têm alegado dificuldades devido à redução do número de passageiros em até 70% em função das medidas restritivas por causa do coronavírus.

 

Os representantes das empresas responsáveis pelo transporte público se reuniram com a Prefeitura no início de março para pedir reequilíbrio financeiro dos contratos de concessão do transporte.

 

No encontro, os consórcios informaram que, em outubro de 2019, o número de passageiros pagantes ultrapassava 7 milhões. Em março de 2020, o número caiu para 4, 9 milhões. Em abril, este número chegou à casa dos 2,2 milhões.

 

De acordo com as empresas, a queda do número de passageiros causou um enorme desequilíbrio financeiro e no contrato de concessão. Isso ocorreu porque quando os contratos foram feitos, a estimativa de número é bem diferente da realidade atual.

Segundo a Astransp, até o início de maio era calculado um prejuízo estimado em mais de R$15 milhões nos dois meses anteriores.

 

O consórcio Via JF, por sua vez, informou que "o setor de transportes vem enfrentando a maior crise de todos os tempos, a queda na receita dos Consórcios chegou a 70%, sendo que os custos da operação caiu apenas 40%".

 

De acordo com o consórcio , essa diferença já gerou um déficit de R$ 22 milhões no sistema de transporte coletivo de Juiz de Fora. "As empresas já se encontram em colapso financeiro e, caso não haja um auxílio da Prefeitura Municipal, enfrentarão grandes dificuldades de operação já no fim do mês de maio e início de junho".

 

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