Mesmo com reabertura de comércio, Santo André opera com cerca de 60% da frota de ônibus

Passageiros relatam ao Diário do Transporte demora e superlotação


JESSICA MARQUES


Os ônibus municipais de Santo André, no ABC Paulista, seguem operando com frota reduzida, com cerca de 60% do total, mesmo após a retomada do comércio na cidade. Ao Diário do Transporte, passageiros relataram demora e superlotação, principalmente em horários de pico.


“Já fiquei 45 minutos no ponto aguardando o S-36 [Estação Prefeito Saladino / Parque Novo Oratório]. Desisti e chamei um Uber. Quase perco meu compromisso. Fora o alto risco de ser assaltada”, afirmou a secretária Nancy Segala.


A passageira relatou ainda que mora no Parque das Nações há 52 anos e que todos os dias sofre com atrasos nesta linha de ônibus. “Absoluta falta de respeito com os usuários”, comentou também.


Por sua vez, a assistente administrativa Joseleine Pereira da Silva Cunha contou que utiliza duas linhas de ônibus para ir trabalhar. Contudo, os atrasos estão cada vez mais frequentes.


“Utilizo a linha I-05 [Jardim Santo André / Estação de Utinga] às 6h30 e T-17 [Jardim Alvorada / Uni ABC] ou T-25 [Vila Suíça / Terminal Oeste] às 7h, 7h10. Esse é meu caminho de ida ao serviço. Esperei o I-05 em média 30 minutos e os outros também. O coletivo estava lotado sim. Em dias normais a espera era bem menor passava ônibus em menos de 10 minutos. A diferença foi no tempo de espera que aumentou muito”, relatou.


OUTROS ITINERÁRIOS

Além disso, uma funcionária pública, que preferiu não se identificar, contou à reportagem que os ônibus da linha I-06 Jardim Bom Pastor / Estação de Utinga estão com intervalo de uma hora. A passageira tem o itinerário como única opção para ir ao trabalho de transporte coletivo.


Entre outras linhas citadas pelos passageiros como superlotadas estão a T-15 Hospital Mário Covas / Terminal Oeste, T-27 Condomínio Maracanã / Terminal Oeste, B-19 Jardim Aclimação / Bairro Campestre, U-26 Utinga / Parque Capuava e B-13 Jardim Aclimação / Vila Alice, todas com intervalos próximos a uma hora.


O Diário do Transporte também verificou intervalos superiores a 40 minutos em dias úteis nas linhas T-14 Jardim Ana Maria / Centro e I-03 Parque Capuava / Bom Pastor. Ambas tinham tempo de espera de 10 a 20 minutos antes da pandemia de Covid-19.


SECRETÁRIA ADMITE FROTA REDUZIDA

A secretária adjunta de Mobilidade Urbana, Andrea Brisida, havia informado em entrevista que a retomada do comércio seria feita com 30% dos motoristas do sistema afastados.


Na ocasião, a secretária detalhou que 225 ônibus estariam em operação nos dias úteis, ou seja, 63% do total. A cidade possui frota operacional de 355 ônibus, sendo 279 do Consórcio União Santo André e 76 veículos da Suzantur, que opera de forma emergencial na região da Vila Luzita.


Relembre: Ônibus de Santo André poderão deixar de parar nos pontos para passageiros em caso de superlotação


O prefeito Paulo Serra havia informado, porém, que a cidade teria 100% dos ônibus em operação a partir de 15 de junho de 2020. Contudo, as empresas do Consórcio União Santo André estão com pouco mais da metade dos veículos nas ruas.


Relembre: Santo André terá 100% da frota de ônibus a partir de segunda (15) e divulga horários escalonados para comércio


O Diário do Transporte aguarda um posicionamento da Prefeitura sobre a superlotação dos veículos do transporte coletivo e redução da frota.


DEMISSÕES E FUNCIONÁRIOS AFASTADOS

Ao Diário do Transporte, a Viação Guaianazes, uma das empresas que integra o Consórcio União Santo André, informou que está operando com 60% da frota por conta dos funcionários que estão afastados.


Além disso, a empresa confirmou que precisou demitir funcionários por conta da crise provocada pela pandemia de Covid-19. Na viação, cerca de 45% do quadro de funcionários chegou a ser afastado no âmbito da MP 936. A Medida Provisória instaurou o Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda.


A justificativa, além de financeira, é que grande parte dos motoristas é do grupo de risco da doença. Contudo, a empresa também relata redução de 60% no número de passageiros e, consequentemente, queda na receita.


Além disso, o Sintetra (Sindicato dos Rodoviários e Anexos do ABC) informou ao Diário do Transporte que aproximadamente 70 motoristas foram demitidos do sistema. Os desligamentos também contribuem para a redução da frota.


Confira a nota do sindicato, na íntegra:

Realmente, algumas empresas precisaram demitir alguns motoristas, tendo em vista a diminuição do número de ônibus nas ruas em razão da pandemia e a diminuição de passageiros, porém o sindicato acompanhou as homologações referentes às rescisões contratuais.


Alguns motoristas tiveram os seus contratos de trabalho suspensos, por serem do grupo de risco e passaram a receber 30% de seu salário sem trabalhar e foram mantidos os benefícios do Vale refeição e os convênios médico e odontológico, garantida a estabilidade no emprego, tudo com base na MP 936/2020.


O sindicato dos rodoviários do ABC vem acompanhando de perto a situação dos trabalhadores, preocupado com a saúde de seus representados e em manter os postos de trabalho.


O Sintetra vem cobrando das empresas o fornecimento do álcool em gel para os motoristas e cobradores, pela constante higienização dos ônibus e pela integral proteção dos profissionais do transporte.


Quanto ao número exato do total de motoristas na cidade, seria ideal contatar o sindicato patronal para obter essa resposta.


O Diário do Transporte tentou contato com as demais empresas que operam no Consórcio União Santo André, com relação à redução de frota nas linhas mencionadas, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.


Jessica Marques para o Diário do Transporte

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