• Diário do Transporte

Empresa de ônibus de turismo em Londres oferece ônibus de teto aberto contra Covid-19

Ideia é usar veículo como uma das alternativas para ajudar a transportar trabalhadores aos escritórios no retorno das atividades econômicas


ALEXANDRE PELEGI


Uma empresa em Londres está oferecendo um modo alternativo de transporte em massa como forma de diminuir os temores sobre os riscos de infecção por coronavírus no transporte público.


Trata-se de um ônibus com teto aberto, oferecido como serviço sob demanda.


A empresa Snap colocou em teste alguns dos 233 ônibus turísticos sem teto da cidade para transportar os londrinos para o trabalho.


A empresa quer usar seus veículos na experiência, uma vez que a maior parte da frota desse tipo está parada devido à falta de turistas na capital do Reino Unido.


São veículos de dois andares, com o andar superior ao ar livre, usado nas cidades do mundo todo para transportar turistas em rotas de “hop on, hop off”.


Segundo matéria publicada pela Bloomberg CitiLab, a Snap espera reimplantar os ônibus turísticos de topo aberto como transporte pop-up seguro da Covid para os locais, estendendo a tendência da era da pandemia da vida ao ar livre para o transporte público.


O serviço ainda está em desenvolvimento.


Atualmente, o Snap está passando por um processo de estudos e coleta de informações, buscando detalhar as pessoas interessadas no serviço e daí calcular quais rotas podem ter maior demanda.


As jornadas iniciais de teste foram realizadas esta semana, seguindo a rota da linha Victoria do metrô de Londres, que atravessa o centro de Londres de nordeste a sudoeste.


A estimativa é que os preços tenham o mesmo custo de uma viagem média de metrô, hoje de £ 3,30 (R$ 22).


São vários pontos de embarque e desembarque para os passageiros, mas com muito menos paradas que o ônibus convencional.


A Snap acredita que consegue executar um serviço viável a esse custo, com passageiros preenchendo apenas um quarto da capacidade normal de um ônibus. Nesse caso, os passageiros deverão se sentar no andar superior, mantendo alguma distância uns dos outros. A limpeza frequente após cada viagem reduziria ainda mais os riscos.


A ideia pode ajudar Londres a enfrentar um desafio atual.


Algumas pessoas que agora trabalham em casa estão pensando na possibilidade de retornar aos seus locais de trabalho, mas muitas ainda estão receosas diante da possibilidade dos serviços de transporte público retornarem a níveis semelhantes quanto ao número de passageiros antes da pandemia.


O governo do Reino Unido passará a aconselhar o não uso de transporte por ônibus, trem e metrô a partir de 1º de agosto, exceto as essenciais.


Uma pesquisa realizada em junho apontou que 70% dos londrinos não se sentem mais confortáveis ​​em viajar de transporte público.


Enquanto isso, os líderes da cidade estão preocupados em impedir que o tráfego de veículos volte à cidade à medida que as restrições diminuam.


Em entrevista à Bloomberg, o CEO da Snap, Thomas Ableman destacou que atualmente o metrô de Londres tem 30% de ocupação comparado a antes da pandemia. Já o uso de carros está em cerca de 80% do que era antes do lockdown.


“Não queremos uma recuperação baseada em carro para esta crise, por isso precisamos encontrar soluções com as quais as pessoas se sintam confortáveis ​​- e você não pode obter um meio de transporte mais seguro da Covid do que um ônibus com tampa aberta”, disse Thomas Ableman.


SEM EVIDÊNCIAS

A matéria da Bloomberg CityLab ressalva que os temores generalizados sobre o transporte público ainda podem não ser totalmente justificáveis: nem a França nem o Japão relataram um único cluster de coronavírus em trens entre 9 de maio e 3 de junho, embora a ausência de clusters detectados não descarte a possibilidade de transmissão.

Ao mesmo tempo, a matéria lembra que espaços internos e mal ventilados, onde as pessoas ficam próximas, seja em veículos ou não, parecem representar um risco maior.

Em Londres, pelo menos 33 trabalhadores de ônibus, 29 motoristas entre eles, morreram de Covid-19, possivelmente devido à exposição repetida e próxima em ônibus onde os passageiros entram pela frente do ônibus.


A Bloomberg aponta que usar um transporte turístico como transporte público adequado é uma nova adaptação pós-pandêmica.


“Até agora, parece que nenhum serviço semelhante foi introduzido em outros lugares, embora alguns ônibus com tampo aberto tenham retomado seu serviço regular de turismo enquanto os turistas voltam. Em uma cidade chuvosa como Londres, sentar-se exposto no convés superior com mau tempo pode oferecer uma opção de transporte um tanto desagradável, especialmente para quem está em trajes de escritório, mas os passageiros podem ser convencidos a se abrigar sob um guarda-chuva se sentirem que ele oferece condições mais seguras. Um número menor de passageiros pode ajudar. O Snap ainda não tem um limite máximo de capacidade, mas concordou em seguir as diretrizes do governo conforme anunciadas”, informa a matéria.


A Bloomberg encara o serviço oferecido pela Snap como um exemplo interessante de como a recuperação pandêmica pode oferecer novas oportunidades para serviços de mobilidade com gestão privada, “especialmente aqueles que são percebidos como mais seguros do que os modos atuais de transporte público”.


Segundo a matéria, os ônibus pré-reservados, no formato on demand, com ou sem tetos abertos, podem permitir que os operadores gerenciem a capacidade mais facilmente, mantendo o número de passageiros baixo o suficiente para manter o distanciamento social.


Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transportes


Com informações do site Bloomberg CityLab

Posts em Destaques
Posts Recentes
Arquivos
Pesquise por Tags
Siga-nos
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • LinkedIn Social Icon

© 2017 por Softbus Consultoria e Informática Ltda

  • Black Facebook Icon
  • Black Twitter Icon
  • Black LinkedIn Icon
  • Instagram - Black Circle