• Diário do Transporte

Ao menos sete empresas de ônibus podem paralisar os serviços no RJ por causa do aumento do diesel

Combustível fica 15,2% mais caro a partir desta sexta-feira (19). Viações também criticaram o que classificaram como falta de compromisso do Governo Federal com a mobilidade urbana


ADAMO BAZANI


Pelo menos sete empresas de ônibus no Rio de Janeiro correm o risco de paralisar as operações por causa do aumento do diesel, que fica 15,2% mais caro a partir desta sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021. Entre as companhias estão Pavunense, Campo Grande e Penha Rio.


A informação está em nota oficial desta quinta-feira (18) do Rio Ônibus, que é o sindicato que representa as companhias de ônibus da capital.


Como mostrou o Diário do Transporte, é terceiro aumento no ano com acúmulo de 27,72%.


Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/02/18/petrobras-aumenta-de-novo-diesel-e-gasolina-nesta-sexta-19/

No comunicado, os empresários de ônibus dizem que “a elevação no custo do diesel comprova a falta de compromisso do Governo Federal com a mobilidade urbana e com o custo do transporte para a população, já que o item corresponde a 25% do valor médio das passagens”


Segundo a nota, para o cliente final, o litro do diesel passa dos R$ 3,85.


“No aumento anterior, registrado já em fevereiro, as empresas de ônibus passaram a pagar R$ 3,39. O combustível é o segundo insumo de maior custo para empresas de ônibus, que passam por seu pior momento financeiro, sem receber nenhum tipo de auxílio por parte dos governos”.


As empresas de ônibus se queixaram mais uma vez do congelamento das tarifas “há mais de 24 meses, redução de 50% no número de passageiros desde o início da pandemia, além da falta de fiscalização contra o crescimento desenfreado do transporte ilegal por vans na cidade, entre inúmeros outros problemas relatados insistentemente pelos consórcios ao poder concedente”


O porta-voz do Rio Ônibus, Paulo Valente, criticou ainda o fato de a gestão do presidente Jair Bolsonaro não fazer nada para impedir que estes reajustes constantes do diesel sejam repassados aos transportadores.


“No primeiro momento do isolamento social, quando o registro de passageiros caiu 80%, o poder público já não apresentou nenhuma medida de apoio às empresas. Desde então, nada foi feito. Pelo contrário, além de vetar o auxílio financeiro aprovado pela Câmara de Deputados ao setor, no final do ano passado, a Presidência da República ainda permite que seja repassado aos transportadores o aumento inconcebível anunciado esta semana. A reação foi automática. Com o litro por R$ 3,85, as contas não fecham e empresários já anunciam possibilidade de redução ainda maior de suas operações, com risco de encerramento de suas atividades – afirmou.


A nota complementa dizendo que somente no Rio de Janeiro, as empresas acumulam prejuízos de R$ 1 bilhão

A alta do diesel é um dos itens que expõe o colapso econômico das empresas de ônibus. Sem auxílio do poder público, o setor contabiliza déficit superior a R$1 bilhão em 2020 para manter a frota nas ruas. A realidade foi intensificada pela crise provocada pelos impactos gerados pela Covid-19. Também estão na longa lista de itens que levaram as empresas à situação atual, a falta de segurança pública, o crescimento no número carros de aplicativo que operam sem regulamentação definida, a falta de infraestrutura viária e o não ressarcimento de gratuidades concedidas.


Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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