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Kalil volta a discutir valor da tarifa em reunião com empresários e falou do custeio da gratuidade

A passagem de ônibus em Belo Horizonte foi tema de mais uma reunião entre a prefeitura e o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de Belo Horizonte (Setra-BH). Na tarde desta segunda-feira (13), o principal assunto debatido foi como lidar com o peso das gratuidades na tarifa do transporte público.


Em entrevista após a reunião, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) reiterou que não haverá reajuste no valor da passagem em 2021, que já está terminando. E disse que os usuários não podem arcar com benefícios para quem não paga passagem. “A gratuidade não pode cair no colo do passageiro que paga a passagem. Nós não podemos arcar com a gratuidade e mais o aumento de passagem, porque isso é impossível”, afirma.


Para o presidente do Setra-BH, Raul Lycurgo Leite, é preciso modernizar o contrato atual entre a prefeitura e as empresas de ônibus, vigente desde 2008. “Chegou-se a conclusão clara que precisamos modernizar esse contrato, não dá pra ter supostas gratuidades que de gratuidade não tem nada porque tem alguém pagando por isso”, disse em entrevista após a reunião com o prefeito.


A principal crítica do presidente do Setra-BH ao contrato vigente é de ter a passagem de ônibus como única fonte de financiamento das empresas.


A discussão sobre o tema da gratuidade ganhou força após a greve dos motoristas de ônibus na segunda metade de novembro. Na ocasião, o Setra-BH afirmou que os passageiros que têm direito a não pagar pela passagem, como idosos e pessoas com deficiência, oneram o usuário tarifado e seriam uma das razões que tornava necessário o reajuste.


De acordo com Raul Lycurgo Leite, o público com direito a gratuidade representa cerca de 10% dos passageiros na capital.


A administração do transporte público voltou a ser tratada como um tema comum às grandes cidades brasileiras tanto por Kalil como por Leite. Na última quarta-feira (9), a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) esteve em Brasília para reivindicar apoio financeiro do Governo Federal aos municípios para a gestão dos transportes. Ainda não houve resposta para as solicitações.


Kalil concordou com a necessidade de rever o contrato citando o impacto de leis nacionais e estaduais sobre gratuidade na gestão do transporte público. “Quem tá pagando a conta da gentileza do governo federal, do governo estadual e do próprio governo municipal é o pobre que paga ônibus e a prefeitura chegou a conclusão que essa conta está errada e nós vamos arrumar”, conclui o prefeito, que anunciou nova reunião com o Setra-BH para quarta-feira (15), às 10h.

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