• Estado de Minas

Marcada para as 10h, audiência no TRT é decisiva para greve de ônibus

Tribunal tenta conciliar motoristas e Setra. MPT apura denúncia desrespeito ao mínimo de viagens na quinta-feira


População sem ônibus, acusações de descumprimento da escala mínima das viagens e tensão em alta marcaram o dia de greve no transporte público de Belo Horizonte ontem, depois de os motoristas retomarem a paralisação a partir da zero hora. A expectativa hoje gira em torno de uma audiência de emergência convocada pelo Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG) para as 10h, em busca de conciliação entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário (STTR-BH) e a entidade que representa as empresas do setor (o Setra-BH) para tentar encerrar de vez a greve. De acordo com a BHTrans, foram realizadas 37,1% das viagens programadas entre as 16h e as 17h. Entre a 0h e as 9h, o percentual foi ainda menor, de 32%. O percentual mínimo estipulado pelo TRT na quarta-feira era de 60%.


A situação pode se complicar, uma vez que a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL) denunciou o STTR-BH ao Ministério Público do Trabalho (MPT) por descumprimento da determinação do TRT de que a circulação mínima de 60% da frota fosse mantida. O MPT informou que foi instaurado procedimento administrativo em caráter de urgência para a “devida apuração e solução do problema”. Os motoristas se defendem: "Estamos procurando respeitar sim. A orientação é que respeite os 60% acordado", disse o presidente do STTR-BH, Paulo César. “Da nossa parte estamos fazendo o possível para que essa greve não vá pra frente”, afirmou ainda, ao comentar a convocação para audiência hoje na Justiça do Trabalho.


No início da tarde, o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), já havia afirmado que “mais uma vez não foi cumprida a decisão da Justiça” e que esperava que situação fosse resolvida entre os sindicatos patronal e dos trabalhadores. O prefeito disse ainda que não vai "assentar em nenhuma mesa de discussão nem falar sobre aumento de tarifas enquanto houver estado de greve". Kalil afirmou que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) reconhece a legalidade do que foi estabelecido na Justiça e espera que alguma providência seja tomada. Na quarta-feira, o TRT determinou uma escala mínima de 60% da frota em circulação. "Estamos muito preocupados e é importante que seja colocado de forma clara. Temos que trabalhar pela cidade, o povo está precisando", acrescentou.


A ESCALA Se fosse cumprida a escala mínima determinada pelo TRT, ao menos 912 dos 2.281 coletivos disponíveis na capital – dados da BHTrans –, já parariam de circular, certamente provocando transtornos para cerca de 1,2 milhão de pessoas que compõem a média diária de passageiros que utilizam os ônibus do município. O descumprimento da decisão judicial acarreta multa de R$ 50 mil ao sindicato. Os grevistas também não podem promover depredações no patrimônio das empresas concessionárias ou impedir a entrada e a saída dos empregados que queiram ocupar seus postos de trabalho.

Entretanto, pelos cálculos da Empresa e Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), em toda a cidade, apenas 32% das viagens previstas haviam sido cumpridas entre a 0h e as 9h de ontem. O que se viu pela manhã na cidade foi um movimento desigual nas estações de ônibus, com algumas completamente paradas e outras com movimento de até 75% dos ônibus.

ESPERA SEM FIM Na Estação Venda Nova, situada na Rua Padre Pedro Pinto, o intenso barulho de motores de veículos e catracas girando deu lugar ao canto de passarinhos. O interior e a garagem do ponto de embarque estavam completamente desertos por volta das 9h30. À beira das catracas, alguns passageiros ainda aguardavam a chegada de coletivos. A espera da massoterapeuta Sabrina Araújo já durava mais de três horas.


"Trabalho na Savassi. Cheguei aqui às 6h. Acabei de mandar uma mensagem para os meus patrões perguntando se devo seguir esperando ou se volto para casa. Sem chance de eu pegar carro de aplicativo. A corrida está o triplo do preço, quase R$ 100", relatou.

A auxiliar de serviços gerais Camila Bianca saiu bem cedo de casa, às 4h, para evitar chegar atrasada ao trabalho. A estratégia não funcionou. "Acordei às 3h40, saí às 4h, mas só consegui ônibus para chegar até a Estação Venda Nova às 5h20. Cheguei aqui às 6h30 e não tinha ônibus. Meu expediente começa às 8h. Avisei à empresa onde trabalho da situação e eles devem mandar uma van para me buscar. Se não mandarem, não tem como eu ir", disse a jovem, que mora no Bairro Mantiqueira, na Região de Venda Nova, e trabalha no Centro.

“EXCESSO DE TRABALHO” Adair Motorista, como é conhecido entre os colegas, trabalha na linha 3052, Diamante – BH Shopping e estava de braços cruzados em apoio à categoria. Segundo o condutor, além das questões ligadas à remuneração, há “excesso de trabalho” dele e dos colegas. "Dirigimos, cobramos passagem, temos que acionar o elevador de cadeirantes. Já vai para tês anos sem qualquer reajuste de salário. Enfrentamos ônibus com excesso de passageiro, um trânsito intenso. Empresas não valorizam o profissional e quando terminamos o dia ficamos com dor de cabeça."

Depois de rodada de negociações malsucedida com os donos das empresas de ônibus que prestam o serviço em Belo Horizonte, os rodoviários decidiram, em duas assembleias na quarta-feira, retomar a greve a partir da madrugada de ontem. Eles alegam estar sem aumento há dois anos e reivindicam aumento salarial de 9%, mais correção dos vencimentos pelo Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC). Outras pautas do movimento são: retorno do tíquete-alimentação durante as férias, pagamento do abono 2019/2020 e fim da limitação do passe livre.


"Trabalho na Savassi. Cheguei aqui às 6h. Acabei de mandar uma mensagem para os meus patrões perguntando se devo seguir esperando ou se volto para casa. Sem chance de eu pegar carro de aplicativo. A corrida está o triplo do preço, quase R$ 100", relatou.

A auxiliar de serviços gerais Camila Bianca saiu bem cedo de casa, às 4h, para evitar chegar atrasada ao trabalho. A estratégia não funcionou. "Acordei às 3h40, saí às 4h, mas só consegui ônibus para chegar até a Estação Venda Nova às 5h20. Cheguei aqui às 6h30 e não tinha ônibus. Meu expediente começa às 8h. Avisei à empresa onde trabalho da situação e eles devem mandar uma van para me buscar. Se não mandarem, não tem como eu ir", disse a jovem, que mora no Bairro Mantiqueira, na Região de Venda Nova, e trabalha no Centro.

“EXCESSO DE TRABALHO” Adair Motorista, como é conhecido entre os colegas, trabalha na linha 3052, Diamante – BH Shopping e estava de braços cruzados em apoio à categoria. Segundo o condutor, além das questões ligadas à remuneração, há “excesso de trabalho” dele e dos colegas. "Dirigimos, cobramos passagem, temos que acionar o elevador de cadeirantes. Já vai para tês anos sem qualquer reajuste de salário. Enfrentamos ônibus com excesso de passageiro, um trânsito intenso. Empresas não valorizam o profissional e quando terminamos o dia ficamos com dor de cabeça."

Depois de rodada de negociações malsucedida com os donos das empresas de ônibus que prestam o serviço em Belo Horizonte, os rodoviários decidiram, em duas assembleias na quarta-feira, retomar a greve a partir da madrugada de ontem. Eles alegam estar sem aumento há dois anos e reivindicam aumento salarial de 9%, mais correção dos vencimentos pelo Índice Nacional de Preço ao Consumidor (INPC). Outras pautas do movimento são: retorno do tíquete-alimentação durante as férias, pagamento do abono 2019/2020 e fim da limitação do passe livre.

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