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Motoristas de ônibus de São Paulo aprovam “estado de greve” com possibilidade de paralisação

Motoristas de ônibus de São Paulo aprovam “estado de greve” com possibilidade de paralisação a qualquer momento

No discurso, Valdevan Noventa insinuou que opositores da direção do sindicato estariam por trás de ações de vandalismo contra ônibus nos terminais Parque Dom Pedro II, Pinheiros e São Mateus que ocorreram em junho


ADAMO BAZANI


Colaborou Willian Moreira

Motoristas e demais funcionários do sistema de ônibus da capital paulista aprovaram em assembleia na tarde desta terça-feira, 06 de julho de 2021, “estado de greve” com possibilidade de paralisação a qualquer momento, após 72 horas de notificação às viações e à SPTrans (São Paulo Transporte), gerenciadora das linhas municipais.


A categoria está em campanha salarial e pede reajustes nos salários e benefícios, de 7,59%, o que garantiria ao menos a reposição de inflação, ticket-refeição de R$ 28 e manutenção dos postos de trabalho.


Na assembleia, o presidente do Sindmotoristas, sindicato dos trabalhadores, José Valdevan de Jesus Santos (Valdevan Noventa), disse que tem discutido com a prefeitura e o presidente da Câmara, Milton Leite, vereador que é relacionado ao setor de transportes, a manutenção dos postos de cobradores e a possibilidade de, ainda neste semestre, o poder público excluir de forma definitiva 1.147 coletivos dos 14 mil ônibus do sistema, em razão da necessidade de redução de custos ampliada com a pandemia de covid-19 que diminui em quase 40% a demanda de passageiros.


Noventa disse que, se for feito mesmo este corte de frota, em torno de seis mil trabalhadores correm o risco de perder o emprego.


Outras assembleias podem ser convocadas de forma extraordinária para eventuais paralisações.


Como mostrou o Diário do Transporte, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, disse em entrevista coletiva no dia 14 de junho de 2021, que não vai conceder ampliação nos subsídios ao sistema de ônibus da capital paulista que faria com que os valores chegassem ao fim de 2021 a patamares na ordem de R$ 4,2 bilhões.


Uma solicitação feita em março de 2021 pela SPTrans (São Paulo Transporte), que gerencia o sistema, sugeria uma ampliação em R$ 2,02 bilhões no total previsto para 2021.


O Orçamento para 2021, aprovado pela Câmara Municipal de São Paulo, contempla R$ R$ 2,25 bilhões.


“No ano passado, também superou os R$ 3 bilhões. Agora existe uma solicitação da ordem de R$ 4,2 bilhões. Eu já fiz uma reunião essa semana com a equipe da SPTrans, fazendo alguns ajustes. A cidade de São Paulo não comporta pagar R$ 4 bilhões de subsídios e nós não iremos pagar R$ 4 bilhões de subsídios. Quanto será? Pode ser R$ 2,8 bilhões, pode ser R$ 3 bilhões, mas certamente não será maior do que no ano passado.”


O prefeito disse ainda que estão sendo estudadas alternativas para reduzir os custos operacionais, como a diminuição da frota reserva de 8% para 6% da frota total e antecipar as eliminações de sobreposições de linhas.


“Alguns ajustes terão que ser feitos. A reserva técnica de 8% eu pedi para cair para 6%. Existe uma questão com relação à sobreposição das linhas para a gente poder fazer essa correção. Existe uma série de medidas que estão em negociação. É uma negociação dura e firme da Prefeitura de São Paulo em defesa da cidade. A gente entende que os concessionários são parceiros da cidade, mas tem que haver uma compreensão porque a gente não pode sangrar os cofres públicos, porque a gente tem muitas ações para fazer nas outras áreas.” – comentou.


Nunes admitiu que o valor pode ser maior que os R$ 2,25 milhões, mas que não chegará aos R$ 4,2 bilhões.


Ouça neste link:


https://diariodotransporte.com.br/2021/06/14/nunes-diz-que-vai-negar-pedido-que-eleva-para-r-42-bilhoes-os-subsidios-ao-sistema-de-onibus-da-capital-paulista/


Noventa também disse que vai cobrar de Milton Leite uma promessa do prefeito Bruno Covas, que morreu em 16 de maio de 2021 vítima de câncer, sobre o uso do CMTC Clube pelo sindicato.


ATAQUES:

No discurso, Valdevan Noventa insinuou que opositores da direção do sindicato estariam por trás de ações de vandalismo contra coletivos nos terminais Parque Dom Pedro II, Pinheiros e São Mateus que ocorreram em junho, quando pneus de ônibus foram esvaziados e correias de borracha dos motores foram cortadas.


“Aqui não é no grito, aqui é na responsabilidade de cada um de nós aqui. Então companheiros é fácil, é fácil não representar nada, é fácil não ser dirigente, é fácil não ser representante de nada e ficar 24 horas nas redes sociais pensando que contribui. Difamando esse, difamando aquele, induzindo os trabalhadores, furando pneu, cortando borracha para dizer que é o trabalhador revoltado. São esses que não representam nada, que estão fazendo esses atos vandalismo. Porque essa direção, essa direção para parar a cidade de São Paulo não precisa furar um pneu, não precisa cortar uma borracha !”


O Diário do Transporte mostrou que 1º DP (Distrito Policial) da capital paulista intimou a prestar esclarecimentos pelo menos 26 pessoas nas investigações de três atos de vandalismo contra ônibus na cidade de São Paulo.

Outras ainda podem ser chamadas.


Relembre:

https://diariodotransporte.com.br/2021/07/01/policia-civil-intima-ao-menos-26-pessoas-em-investigacoes-sobre-vandalismo-contra-onibus-em-terminais-na-capital-paulista/


Os ataques aconteceram no início da manhã dos dias 14 e 28 de junho de 2021.


No dia 14, ônibus foram vandalizados na região do Terminal Parque D. Pedro II, no centro da cidade.

Um grupo parou os coletivos no viaduto Diário Popular e esvaziou os pneus, além de cortar as correrias dos motores.

Alguns ônibus tiveram de ser guinchados.


Já no dia 28, em ação bem semelhante, ônibus e trólebus foram parados na região dos terminais São Mateus, na zona leste, e Pinheiros, na zona Oeste.


Houve também corte de correias de motores e esvaziamentos de pneus. Um coletivo também teve um dos vidros trincados.


No mesmo dia, por volta das 7h, um grupo atacou dois veículos, sendo um na Av. Ragueb Chofhi com a Av. Aricanduva e o outro na mesma avenida com a Av. Jacu Pêssego, na zona Leste. Ambos tiveram os pneus esvaziados.


Em ambas as ocasiões, parte dos envolvidos nos ataques demonstram conhecimento das linhas atacadas e das configurações dos ônibus.


O Sindmotoristas, que é o sindicato dos motoristas e cobradores, nos dois episódios negou por meio de nota qualquer envolvimento e disse ter sido pego de surpresa assim como ter repudiado as ações.


A SPTrans (São Paulo Transporte), que gerencia o sistema, disse nos dias, também por nota, que repudia atos de vandalismo e contata a Polícia Militar em tais circunstâncias.


Já o SPUrbanuss, sindicato que reúne as empresas de ônibus, informou nas ocasiões, que todas as companhias de transportes registram boletins de ocorrência nestes tipos de casos.


Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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