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'Motoristas de ônibus serão vacinados contra Covid até sexta', diz superintendente da Transerp

Categoria paralisou transporte público nesta segunda (24), afetando 90 mil usuários. Trabalhadores também cobram pagamento de vale mensal. Não há definição sobre retomada do serviço.


O superintendente da Empresa de Trânsito e Transporte Urbano (Transerp), Marcelo Galli, disse que os motoristas de ônibus devem ser vacinados contra a Covid-19 até sexta-feira (28) em Ribeirão Preto (SP). A vacina é uma das reivindicações da categoria, que paralisou o transporte público para 90 mil usuários, sem aviso prévio, nesta segunda-feira (24). Ainda não há uma definição sobre a retomada.


“A informação que a gente tem é que a vacina chegou no fim de semana, e estamos programando para que até sexta-feira (28) todos os motoristas do transporte coletivo municipal sejam vacinados.”

A chegada das doses a Ribeirão Preto foi confirmada pela Secretaria Municipal de Saúde e pelo governo de São Paulo, que disse ter enviado 630 doses do imunizante para a campanha.

Segundo o cronograma do governo estadual, a imunização para motoristas de ônibus e cobradores começou no dia 18 de maio.

Galli informou que o consórcio ProUrbano, detentor da operação do transporte público na cidade, e a Prefeitura foram notificados para que o serviço seja restabelecido ainda hoje.

“É importante que isso retome o quanto antes até porque uma das reivindicações do sindicato é que a vacina chegue, e ela chegou.”


Pagamento de vale mensal

De acordo com o sindicato dos trabalhadores, nenhum dos 356 veículos saiu das garagens nesta segunda-feira. Além da vacina, os motoristas cobram o pagamento do adiantamento salarial de maio, que deveria ter depositado na quinta-feira (18).


A paralisação, segundo o sindicato, foi decidida em assembleia realizada pelos trabalhadores nesta madrugada, antes do início do turno. O presidente da entidade, João Henrique Bueno, diz que por esse motivo, não houve tempo hábil para avisar os usuários com antecedência.


“Como nós não recebemos o pagamento na última quinta-feira, buscamos na sexta-feira uma solução administrativa e não conseguimos. Hoje, nós fizemos a assembleia com os trabalhadores e eles decidiram não trabalhar enquanto não recebessem o salário. Lamentamos o transtorno à população de Ribeirão Preto, mas é a única saída que nós tínhamos no momento.”


Procurado, o consórcio ProUrbano não se manifestou sobre o assunto.


População prejudicada

A suspensão do transporte pegou usuários de surpresa nas primeiras horas do dia. Em frente ao terminal rodoviário, trabalhadores que chegavam de cidades vizinhas formaram aglomerações enquanto esperavam por táxis, motoristas de aplicativos ou ajuda de patrões.


“É difícil para a gente, deviam ter avisado um dia antes. Se a minha patroa estivesse sabendo, ela tinha vindo me buscar na rodoviária”, disse a empregada doméstica Geni Alves de Souza.


“Foi uma surpresa. De uma hora para outra assim ter essa mudança. Eu vou ter que aguardar o patrão me ligar, ele vai ter que vir me buscar na rodoviária”, afirmou o caldeireiro Valdeci Cardozo de Souza.


Quem decidiu usar aplicativos de transporte relatou aumento no valor das corridas em razão da demanda inesperada.

Já quem não tinha condições de bancar o deslocamento, teve que aguardar uma ajuda do patrão ou perder o dia de serviço.


“Eu vou ter que voltar para casa. Eu conversei com a minha patroa e ela mandou eu voltar para casa porque não vai ter ônibus à tarde também. Vou perder o dia de trabalho, a vida nossa é essa”, disse a empregada doméstica Vera Lúcia Montenele.


A zeladora Najair Aparecida Batista criticou a decisão dos motoristas por causa dos prejuízos causados aos outros trabalhadores.


“É muita falta de consideração com a população de Ribeirão Preto, uma cidade tão grande dessa, empresarial, e está acontecendo uma situação dessa. Da vacinação, eu concordo, mas deles não pararem, fazerem uma reivindicação.


Agora prejudicar a população por causa do salário é difícil. Eles têm que ter uma negociação, mas entre patrão e funcionário, não prejudicar uma população inteira. E os outros patrões, e os outros funcionários, como que fica?”


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