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Os aplicativos que auxiliam nas denúncias de assédio no transporte público

Eles têm se tornado ferramenta importante no enfrentamento da violência contra a mulher em estações e pontos de ônibus, além de fornecer dados que ajudam a conscientizar e construir políticas públicas


A gente sabe que o número de casos de importunação sexual, assim como os demais crimes sexuais contra as mulheres, só vai diminuir drasticamente quando houver uma desconstrução profunda dos comportamentos machistas em toda a sociedade.


Enquanto essa mudança não acontece no volume necessário, a criação de redes de apoio para denúncia são essenciais no combate ao assédio em espaços públicos. E a tecnologia pode ser uma importante aliada.


Em algumas cidades do Brasil, iniciativas em parceria com o poder público estão sendo colocadas em prática para ajudar a vítima ou testemunha a denunciar os abusos nos transportes públicos. São aplicativos de celular que capturam data, hora, localização, acolhem os registros do que aconteceu e até acionam a polícia. Conheça alguns desses apps:


FORTALEZA (CE) Criado pela pernambucana Simony César, o Nina é uma ferramenta integrada ao Meu Ônibus, aplicativo de mobilidade urbana que monitora os horários do transporte coletivo em Fortaleza (CE).


Tanto a testemunha quanto a vítima de importunação sexual, seja nos pontos de ônibus ou dentro do transporte coletivo, podem acionar um botão que, imediatamente, ativa a geolocalização e faz a coleta de provas para comprovação da denúncia, como o horário e imagens das câmeras de segurança de dentro dos ônibus.


Os materiais são importantes na hora de fazer o registro do boletim de ocorrência na polícia. Disponível para Android e iOS.


CAMPINAS (SP)

A Prefeitura de Campinas lançou este ano um aplicativo de botão de emergência contra assédio sexual nos ônibus municipais. Logo que acionado, o Bela capta a geolocalização e encaminha o pedido de ajuda à Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas). A denúncia também é enviada para a central da Guarda Municipal, que tem como protocolo mandar uma viatura até o ônibus onde ocorreu o crime. A GM da cidade passou por um treinamento específico, para que o acolhimento da vítima seja o melhor e mais completo possível.


SÃO PAULO (SP) Usuárias do metrô já contam há algum tempo com o Conecta, app de comunicação com funcionários do Metrô que recebe denúncias e envia alertas para agentes da segurança que estejam próximos do ocorrido. A partir de 2021, elas também passaram a contar com o app de mobilidade urbana Quicko, que incluiu no sistema o botão “aviso de assédio”. Vítima ou testemunha podem acioná-lo para informar a importunação sexual sofrida na rua, estações de trem e metrô e pontos de ônibus. Depois de apontados a localização, data e horário em que aconteceu o assédio, o aplicativo reúne as informações e mostra tudo o que é preciso para falar com as autoridades, como números de telefone, instruções de contato e localização de postos de atendimento à mulher. O serviço foi desenvolvido em parceria com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo e, por enquanto, está disponível apenas para Android.


CONTAGEM (MG)

Uma assistente virtual é quem ajuda usuárias a denunciar crimes de importunação sexual nos ônibus municipais de Contagem (MG). O aplicativo integra a plataforma SigaBus, que permite checar linhas, horários e previsão de chegada dos coletivos. A assistente virtual vai guiando o registro do abuso por meio de perguntas como linha e número do ônibus onde aconteceu, localização atual da vítima e, por fim, pede um breve relato do ocorrido. Os casos podem ser denunciados, de forma anônima, pelas vítimas ou pessoas que testemunharam. Com as informações, a prefeitura pretende elaborar um estudo sobre as áreas mais vulneráveis e aplicar políticas públicas de enfrentamento junto com a Polícia Civil e a Guarda Municipal. Por enquanto, o app não permite que nenhum agente de segurança seja acionado para intervir. Esta matéria faz parte do especial de Marie Claire sobre as variadas formas de assédio, que pode ser acessado em revistamarieclaire.globo.com/Feminismo/Assedio. O canal tem todas as reportagens abertas, sem paywall, com o apoio de L’Oréal Paris.

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