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Passageiros criam grupo em aplicativo para conseguir usar transporte com horários escassos e confusos: ‘Ônibus fantasma’

Linha Falcão/ITE passa pelas principais avenidas de Bauru (SP) e é meio de transporte de 1.530 passageiros diariamente. Trocas de mensagens no grupo informam a localização exata da linha.


“Meu ônibus já passou?”. Quem depende do transporte público faz quase diariamente esse questionamento, muitas vezes respondido por quem sempre marca presença nos pontos de parada ou pelos aplicativos de transporte urbano. Mas, para os passageiros que utilizam a linha Falcão/ITE em Bauru, essa pergunta é difícil de ser respondida.


A linha que faz parte da Transurb, Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Bauru, atravessa a cidade. Parte do ponto Campus da Unesp, que fica na quadra 8 da Avenida Eng. Luiz Edmundo C. Coube, no Jardim Niceia, e percorre as principais avenidas da cidade a Nações Unidas, Rodrigues Alves e Duque de Caxias e tem como parada final a quadra 10 da Rua Campos Salles, na Vila Industrial. São ao todo 47 paradas e 1.530 passageiros que utilizam a linha diariamente.


Porém, proporcionalmente à importância da linha Falcão/ITE é a dificuldade de encontrar o veículo nos pontos de parada. Na teoria, o intervalo entre um ônibus e outro deveria ser de 45 minutos.


Mas na prática, esse período, além de não ser exato, leva em média entre 1 hora e 1h30, mas há relatos de passageiros que aguardam até 2 horas para conseguir pegar o transporte coletivo dessa linha. A dificuldade é tanta, que os usuários passaram a chamar o transporte dessa linha de “ônibus fantasma”.


“Tem alguns horários que ele nunca passa, ele passa antes ou depois. Tiveram dias que ele passou às 15h30 e depois só às 18h. A noite passa um 21h25 e depois só 23h10, é um tempo considerável, não dá pra apostar e perder ele”, relata João Góes, estudante da Unesp que depende do transporte.


Foi pensando nessa dificuldade que o próprio João, por meio de uma brincadeira com outras duas amigas, decidiu criar um grupo no WhatsApp que recebeu o nome “Falcão-ITE Já Passou Aí?”.


“Quem mora no Camélias ou na Duque, nunca sabe onde está o Falcão. É sempre o pior ônibus dos aplicativos de celular. Ele é o que a gente acostumou chamar no grupo de ‘ônibus fantasma’. Então a ideia do grupo foi a de tentar cada um se ajudar, seja onde estiver. É tipo assim ‘olha, passou por aqui’ pros próximos pontos ficarem espertos", conta.

Com o grupo criado, colocaram algumas regras fáceis e, pelo “boca a boca”, foi ganhando alcance. Hoje, com mais de 300 membros, o grupo é bastante usado por quem estuda na Unesp no período noturno.


Seja pelas pessoas mais ativas ou apenas por aquelas que só acompanham as informações, o intuito de todos ali se ajudarem dá certo e tem grande adesão. A solidariedade faz com que mais pessoas driblem o problema estrutural urbano.


Thuani Fernanda sempre utilizou a linha Falcão/ITE desde que se mudou para Bauru para fazer faculdade. No início da graduação morava no bairro Falcão mesmo e pegava o ônibus no primeiro ponto. Na volta para casa, descia no último ponto.



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Passageiros criam grupo em aplicativo para conseguir usar transporte com horários escassos e confusos: ‘Ônibus fantasma’


Linha Falcão/ITE passa pelas principais avenidas de Bauru (SP) e é meio de transporte de 1.530 passageiros diariamente. Trocas de mensagens no grupo informam a localização exata da linha.


“Meu ônibus já passou?”. Quem depende do transporte público faz quase diariamente esse questionamento, muitas vezes respondido por quem sempre marca presença nos pontos de parada ou pelos aplicativos de transporte urbano. Mas, para os passageiros que utilizam a linha Falcão/ITE em Bauru, essa pergunta é difícil de ser respondida.


A linha que faz parte da Transurb, Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Bauru, atravessa a cidade. Parte do ponto Campus da Unesp, que fica na quadra 8 da Avenida Eng. Luiz Edmundo C. Coube, no Jardim Niceia, e percorre as principais avenidas da cidade a Nações Unidas, Rodrigues Alves e Duque de Caxias e tem como parada final a quadra 10 da Rua Campos Salles, na Vila Industrial. São ao todo 47 paradas e 1.530 passageiros que utilizam a linha diariamente.


Porém, proporcionalmente à importância da linha Falcão/ITE é a dificuldade de encontrar o veículo nos pontos de parada. Na teoria, o intervalo entre um ônibus e outro deveria ser de 45 minutos.


Mas na prática, esse período, além de não ser exato, leva em média entre 1 hora e 1h30, mas há relatos de passageiros que aguardam até 2 horas para conseguir pegar o transporte coletivo dessa linha. A dificuldade é tanta, que os usuários passaram a chamar o transporte dessa linha de “ônibus fantasma”.


“Tem alguns horários que ele nunca passa, ele passa antes ou depois. Tiveram dias que ele passou às 15h30 e depois só às 18h. A noite passa um 21h25 e depois só 23h10, é um tempo considerável, não dá pra apostar e perder ele”, relata João Góes, estudante da Unesp que depende do transporte.


Foi pensando nessa dificuldade que o próprio João, por meio de uma brincadeira com outras duas amigas, decidiu criar um grupo no WhatsApp que recebeu o nome “Falcão-ITE Já Passou Aí?”.


“Quem mora no Camélias ou na Duque, nunca sabe onde está o Falcão. É sempre o pior ônibus dos aplicativos de celular. Ele é o que a gente acostumou chamar no grupo de ‘ônibus fantasma’. Então a ideia do grupo foi a de tentar cada um se ajudar, seja onde estiver. É tipo assim ‘olha, passou por aqui’ pros próximos pontos ficarem espertos", conta.



Com o grupo criado, colocaram algumas regras fáceis e, pelo “boca a boca”, foi ganhando alcance. Hoje, com mais de 300 membros, o grupo é bastante usado por quem estuda na Unesp no período noturno.


Seja pelas pessoas mais ativas ou apenas por aquelas que só acompanham as informações, o intuito de todos ali se ajudarem dá certo e tem grande adesão. A solidariedade faz com que mais pessoas driblem o problema estrutural urbano.


Thuani Fernanda sempre utilizou a linha Falcão/ITE desde que se mudou para Bauru para fazer faculdade. No início da graduação morava no bairro Falcão mesmo e pegava o ônibus no primeiro ponto. Na volta para casa, descia no último ponto.


“Agora eu me mudei e moro mais perto da faculdade, mas mesmo assim eu ainda prefiro pegar o Falcão do que os outros ônibus, já conheço os motoristas, tenho amigos que pegam o Falcão, tem o grupo. Virou uma coisa um pouco afetiva até.”


Thuani comenta que o grupo é muito útil para quem depende da linha.


“Tem pessoas no grupo também que não são universitários e usam bastante. Ouso dizer que o grupo ajuda tanto quanto os aplicativos.”


Lotação


Por causa dos horários escassos, os passageiros da linha enfrentam também os veículos cheios. De manhã e na hora do almoço a maioria dos ônibus estão cheios, justificado por três fatores: horários de pico, falta de opções e locais movimentados.


“O Falcão passa na Rodrigues, passa na Duque e vai enchendo. Ainda que a pessoa desça um pouco antes, um pouco depois, fica sempre cheio, a ponto de você não ter lugar pra ficar na escada do ônibus, onde você entra. Muitas vezes tive que ficar por ali, e eu pego ele no primeiro ponto da Duque, que já vem lotado”, afirma João.


A pouca possibilidade de pegar a linha nos pontos mais críticos da cidade traz uma tendência: superlotação. Estudantes e trabalhadores precisam se virar para conseguir pegar o ônibus que, às vezes, também não passa intercalado. “Já aconteceu de passar dois Falcões de uma vez, um atrás do outro”.


O que diz a Emdurb


Sobre as reclamações dos usuários da linha, a Empresa de Desenvolvimento Urbano de Bauru (Emdurb) respondeu que avaliará a linha junto à operadora para tomar as medidas cabíveis para solucionar o problema.


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