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Por que ninguém consegue resolver o problema do transporte público em Teresina?

Reportagem do OitoMeia buscou quem pudesse falar qual é, de fato, a realidade do transporte público em Teresina; relatório feito pelo TCE-PI recentemente aponta caminhos


Que o transporte público em Teresina, de uma maneira geral, é um grande problema e que parece não ter solução, disso ninguém tem dúvida.


Com a proximidade do ano de eleição, vai começar o festival de promessas dos candidatos a prefeito afirmando que sabem uma solução milagrosa para o problema.


Mas qual a realidade, hoje, do transporte público na capital? Está tendo realmente ônibus para quem, de fato, precisa? Quantos ônibus circulam, diariamente, pelos bairros, pelas ruas de Teresina?


Esta é a pauta que o OitoMeia se propôs a fazer: Abordar a realidade do transporte público teresinense. O que não falta é discussão sobre o tema. Audiências, reuniões… sim, muito blá-blá-blá e até agora, nada de solução.


O QUE FALTA PARA RESOLVER O PROBLEMA? DINHEIRO!

Mas recentemente, um relatório elaborado chamou atenção. O Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI) realizou uma audiência pública para apresentar um novo relatório com a intenção de contribuir com essa discussão. O documento aponta necessidades de subsídios do poder público para a manutenção do transporte Publico para Teresina e revela que para atender o anseio da população, será preciso que haja um maior investimento. Resumindo: o problema é dinheiro!


De acordo com que a Strans (Superintendência Municipal de Transporte de Trânsito), circulam pela cidade 271 ônibus em 76 linhas distintas, com percursos que podem durar até 220 minutos. Cita como exemplo o caso da linha 270, que passa desde o Residencial Eduardo Costa, na zona Sul, praticamente zona rural da cidade, e vai até o Bairro Mocambinho, na zona Norte. A Strans também informou ao OitoMeia que a quantidade de ônibus em cada linha pode variar, podendo chegar a ter nove veículos em uma única linha. Cita como exemplo o caso da linha 401. Nos finais de semana, a ordem de serviço cai para 30% do total.


TEM DIA QUE NEM TEM ÔNIBUS CIRCULANDO EM TERESINA

Estes números, claro, em tese. Na teoria, é para ser assim. Mas e na prática? Não é difícil perceber as pessoas reclamando que não tem ônibus ou que eles demoram muito a chegar nas paradas. Voltando ao relatório apontado pelo TCE-PI, um flagrante foi feito: aos finais de semana, ficou registrado uma redução drástica, com o serviço operando em 13%. Segundo o relatório, em um domingo como este, por exemplo, cerca de apenas 30 ônibus circulavam para levar e trazer passageiros em toda Teresina, uma cidade de quase 1 milhão de habitantes e que sim, mesmo com muita gente preferindo serviços particulares como os motoristas de aplicativo (Uber, 99, Indrive, etc), tem que dependa exclusivamente de ônibus para, por exemplo, visitar familiares no fim de semana.


O relatório aponta o déficit: seriam necessários pelo menos 324 ônibus no total (hoje são 271); tempo de até uma hora (ou 60 minutos) entre viagens, com uma espera de meia hora (ou 30 minutos); aumento da frota que circula aos domingos (a frota cai para quase 10%); e um aumento da frota que circula nos horários a partir das 18h. E, como já dito anteriormente, dinheiro. Pelos cálculos do TCE-PI, o investimentos necessário teria de ser de R$14,19 milhões. Com o que é repassado pela Prefeitura de Teresina e pelo que é arrecadado com cada viagem, há um déficit de pelo menos R$ 5 milhões. Quem vai bancar com esse custo? Nem o TCE, nem a Prefeitura através da Strans e nem qualquer outro órgão sabem a resposta.


É FATO: TERESINA PRECISA COLOCAR MAIS DE 300 ÔNBIBUS PARA RODAR

De acordo com o coordenador técnico do Setut (Sindicato das Empresas de Transportes Urbanos de Passageiros de Teresina) Vinicius Rufino, a arrecadação somada com o repasse público ainda não é suficiente para cumprir o custo mensal do Sistema. “É necessário a complementação do subsídio para que nós possamos trabalhar com uma frota maior sem depender diretamente somente da arrecadação das catracas”, afirma o coordenador. Segundo ele, a demanda no final de semana, por exemplo, é proporcionalmente menor que nos dias normais e por isso há uma redução. Mas concorda que isso não justifica uma redução tao drástica. Cobra, contudo, subsídio para que isso seja resolvido a contento.


Vinicius Rufino destacou que o Tribunal de Contas foi taxativo ao apontar os números para que a Prefeitura de Teresina, através da Strans, e o Setut chegassem aos reais números que poderiam resolver o problema. E foi apontado qual seria a frota adequada para atender um meio-termo entre a quantidade de ônibus, de viagens e de um tempo de espera que possa oferecer conforto para os passageiros dentro de faixas de horários mais extenso. “O ideal seria 332 ônibus na cidade, mas isso acarretaria ao uma necessidade de aporte do município de mais de R$ 3 milhões ou R$ 4 milhões do que eles estão oferecendo hoje, fora a nossa necessidade já calculada. Então seria ideal que a Prefeitura de Teresina fizesse a cobertura dessa diferença e desse uma oferta melhor, expandindo os horários de atendimento e as demandas no final de semana”, argumentou Vinicius Rufino.


E QUANTO TEM PARALISAÇÃO (OU GREVE), TERESINA VIRA UM CAOS TOTAL…

O teresinense se vê preso a um fracassado modelo de transporte público. E pelo visto, sem solução. Nesta semana, em plena segunda-feira, uma paralisação deixou centenas de teresinenses esperando por algo que não apareceu. Motoristas e cobradores cruzaram os braços, sem qualquer aviso prévio. Pronto! Foi o suficiente para a instalação de um caos geral. E olha que atingiu apenas uma das várias regiões, que foi na zona Sul. Gente chegando atrasada no trabalho (ou na escola), correria para conseguir algum tipo de carona, táxi, motorista de aplicativo… realmente, O CAOS! Aconteceu porque os trabalhadores do Consórcio Transcol realizaram uma paralisação de advertência que durou cerca de duas horas. Começou cedinho da manhã e só encerrou-se por volta das 9h. Quem ficou na parada de ônibus 6h, 7h, teve prejuízo para chegar ao seu destino.


De acordo com o Sintetro (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Rodoviários), a reivindicação da categoria se dá porque houve uma contratação irregular, por apenas meio período. Porém, nem mesmo os diretores do Sintetro sabiam da paralisação e por isso não houve um aviso prévio. Presidente do Sintetro, Cardozo chegou a pedir desculpas em entrevista à imprensa na manhã da paralisação. Mas afirmou que quando há uma manifestação como esta, é porque se faz necessário. Ou seja: não dá para descartar uma possível nova paralisação. O que significa que caos como o registrado na segunda-feira, dia 13 de novembro, pode se repetir a qualquer momento.


QUE OPÇÕES O TERESINENSE PODE CONTAR? SE ELE NÃO COMPRAR UMA MOTO, TEM O METRÔ…

Não custa lembrar: uma das reclamações que o Setut tem feito, já há muito tempo, diz respeito à redução no número de passageiros. E isso também ficou evidente no relatório feito pelo TCE-PI. Isso se deve a opção de muitos teresinenses realmente pelo transporte por aplicativo -de uns dias para cá, pelo preço, é perceptível que cresceu muito o número de usuários de serviços como de mototaxi ou semelhante ao Uber moto, por aplicativo- ou até mesmo pela facilidade de poderem comprar seus próprios veículos, uma moto, que seja. “Hoje a pessoa, o mais jovem, constituindo família, tem condições de financiar, adquirir uma moto e leva toda a família. Pai, mãe, filhos, hoje em dia, vão de moto. Essas pessoas não usam mais o ônibus coletivo. E compensa, no final das contas, no bolso desta família. E por isso há essa defasagem no transporte público. Por isso precisa ser repensado”.


E quando se fala em opção, além do ônibus coletivo como transporte público, que outras alternativas há para o teresinense que não tem condição de comprar um veículo como uma motocicleta? O Metrô de Teresina é uma opção apenas para uma parcela dos teresinenses. Com onze estações e 13,5 km de extensão, transporta uma média de 15 mil usuários por dia, segundo dados oficiais. Contudo, como atende muito mais pessoas da zona Sudeste, por exemplo, transportando até no máximo o Centro de Teresina, no caso da estação na avenida Miguel Rosa, no cruzamento com a Frei Serafim, não dá para considerar c0mo uma das soluções para todo mundo. Além disso, o Metrô de Teresina, da CMTP (Companhia Metropolitana, órgão do Governo do Estado), não atende aos fins de semana. Seu funcionamento é de segunda à sexta-feira, das 6h às 18h30. Uma coisa é certa: o eresinense vai se virando como pode, através dos serviços particulares, como taxi, motorista de aplicativo e os polêmicos “ligeirinhos”. Sobre este assunto, aliás, vai ficar para a próxima pauta. Será tema de uma reportagem especial como esta. Aguarde!

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