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Tecnologia nos transportes: uma longa estrada pela frente

Em meu primeiro artigo aqui no Canaltech, falei sobre como a tecnologia revolucionou as nossas vidas ao longo dos anos. Seja na educação, na saúde, na indústria, na comunicação ou no trabalho, a vida moderna é toda permeada pela tecnologia. Fica bem difícil de imaginar como seria o mundo sem todas as vantagens trazidas por ela e incorporadas em nosso dia a dia. No texto de hoje, gostaria de focar especificamente em uma área que, a meu ver, ainda tem muito para evoluir: o transporte.


Falando especificamente do transporte de massas, o caminho para a evolução ainda é bem longo. Nos últimos 40 anos, automóveis e ônibus evoluíram muito pouco. Claro que tivemos inúmeras mudanças em relação a mecânica, conforto, eficiência, design e tecnologias embarcadas. Porém, quando analisamos o propósito dos veículos, pouca coisa mudou.


As viagens regionais têm um imenso potencial de disrupção pela tecnologia de tubo de vácuo, chamada de Hyperloop. O conceito foi usado pela primeira vez na década passada, em um projeto de código aberto de um trem de carga, lançado por uma equipe conjunta da Tesla e da SpaceX. Um Hyperloop é basicamente um sistema selado de tubos onde é possível viajar livre da resistência do ar ou do atrito. Isso permite transportar pessoas ou objetos numa espécie de trem, em alta velocidade, de maneira muito mais eficiente. Ao invés de ter que acelerar mais para ter mais velocidade, tira-se o ar do caminho. Ou seja, você tem menos atrito, mais velocidade e menor consumo de combustível. Isso vai revolucionar completamente a forma das pessoas viajarem.


O projeto do Hyperloop Alpha, publicado pela primeira vez em 2013, analisou uma possível rota entre duas cidades do Estado da Califórnia, nos Estados Unidos. A rota, de 560km, ligaria a região de Los Angeles até a baía de São Francisco, com passageiros viajando a uma velocidade de 1.200 km /h, com tempo de apenas 35 minutos para o trajeto. Trazendo a comparação para o Brasil, seria como ir de São Paulo a Belo Horizonte em pouco mais de 35 minutos. Já pensou?


O custo total do sistema de transporte de passageiros Hyperloop, conforme o projeto que está disponível publicamente na internet, era de R$ 6 bilhões de dólares para uma versão que transporte apenas passageiros e de R$ 7,5 bilhões de dólares para uma versão com diâmetro maior, com capacidade de transportar passageiros e veículos. Imaginem o tamanho da revolução quando tivermos transportes do tipo ligando grandes cidades brasileiras. Mesmo com o alto valor do investimento, isso geraria custos menores de transporte (de pessoas e de cargas), muito menos gasto de combustível e mais rapidez para se chegar de uma cidade a outra.


Olhando agora para o transporte nos grandes centros urbanos, a tecnologia que considero mais promissora é a combinação dos carros autônomos e elétricos. Essa união vai virar de ponta cabeça a vida urbana, assim como os smartphones viraram de ponta cabeça a comunicação!

Hoje, entre os principais custos de um veículo estão o combustível (que aliás, não para de subir!) e a depreciação. Porém, se um carro roda o dia todo, como acontece com um veículo de frota, a depreciação acaba sendo um pouco menos agressiva. E à medida que os carros vão se tornando elétricos, além de serem limpos e mais silenciosos, o seu custo de rodagem baixa bastante. E vale lembrar que um carro elétrico e autônomo, elimina a necessidade do motorista.


Pensando nas corridas de aplicativos de transporte, se temos uma redução no gasto do combustível, no desgaste do automóvel e no custo do motorista, o valor final da corrida é menor. Com esse nível de redução, o acesso das pessoas ao transporte público ou privado mudará completamente. Os carros e ônibus de frota, autônomos e elétricos, passam a ser opções com custo menor do que os transportes que temos hoje em dia.


Então, em alguns anos, não é de se descartar que existam diferentes empresas com frotas de carros elétricos autônomos rodando nas cidades. A mesma evolução chegará aos ônibus urbanos. E haverá uma migração em massa das pessoas para esse tipo de transporte. Não podemos deixar de mencionar o impacto social, já que milhares de trabalhadores motoristas terão que buscar outras formas de trabalho. Por outro lado, haverá uma melhora no cenário urbano, com menos acidentes, poluição, congestionamentos e custos de deslocamento.


Em relação ao transporte de encomendas, as entregas via drones devem começar a bombar nos próximos anos, com equipamentos cada vez mais robustos, baratos, seguros e capazes de entregar pacotes mais pesados e em distâncias maiores. Com isso, os centros de distribuição dos grandes varejistas passarão a entregar diretamente para a casa das pessoas via drone, em minutos.


Assim, como antes cada casa tinha uma antena de TV ou caixa de correio, cada residência poderá ter em suas janelas docas para acesso de drones. Como se fosse uma pequena pista de pouso ou um mini heliponto, com um código de barras que indique o dono do local e um sensor de presença. Então, todos os drones de todas as frotas poderão chegar nessas docas. Se você quiser fazer a entrega de alguma coisa para um amigo, por exemplo, do mesmo jeito que você chama um carro por meio de um aplicativo, você poderá chamar um drone. Isso vai revolucionar as entregas em todos os sentidos. Você não vai precisar nem descer na portaria mais.


Todas essas evoluções estão mais próximas do que imaginamos. É difícil precisar quando cada uma delas vai se tornar popular, mas isso é questão de tempo. O mundo dos Jetsons está cada vez mais próximo da realidade!

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