Porto Alegre avança na eletrificação do transporte coletivo com dois anos de operação
- Terra
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A experiência acumulada nas três linhas 100% elétricas também contribuiu para ampliar o uso da tecnologia no sistema
Resumo
Porto Alegre completou dois anos de operação com ônibus elétricos, transportando 2,8 milhões de passageiros, economizando R$ 2 milhões em diesel e evitando a emissão de 1,76 mil toneladas de poluentes. Parte do Programa Mais Transporte, a iniciativa permitiu testar a tecnologia em linhas locais. Para expandir o projeto, a prefeitura firmou financiamento de R$ 447,7 milhões com o BNDES para adquirir mais 100 ônibus elétricos articulados e infraestrutura de recarga para a capital gaúcha.
Porto Alegre completa dois anos de operação do projeto de eletrificação da frota do transporte coletivo, consolidando uma experiência que combina inovação, sustentabilidade e qualificação do serviço prestado à população. Iniciada em agosto de 2024, a operação com ônibus 100% elétricos permitiu ao município acompanhar, em condições reais, o desempenho da tecnologia e reunir dados para orientar os próximos passos da transição energética do sistema.
Atualmente, três linhas operam integralmente com ônibus elétricos na Capital: E178 - Praia de Belas, E378 - Integradora e E703 - Vila Farrapos. Ao longo de dois anos, os 12 veículos elétricos transportaram mais de 2.8 milhões de passageiros, realizaram 130 mil viagens e percorreram 1,3 milhão de quilômetros.
"Seguimos avaliando outras alternativas de baixo carbono, porque a transição energética precisa considerar as diferentes características da nossa operação. O objetivo é modernizar o transporte coletivo, reduzir emissões e oferecer um serviço cada vez mais eficiente, confortável e sustentável para a população", destaca o secretário municipal de Mobilidade Urbana, Adão de Castro Júnior.
Economia - Os resultados também demonstram os benefícios econômicos e ambientais da iniciativa. A operação dos ônibus elétricos proporcionou uma economia de aproximadamente R$ 2 milhões em combustível no período. Além disso, entre 19 de agosto de 2024 e 18 de agosto de 2026, as três unidades de recarga rápida forneceram 1.686.874 kWh de energia aos veículos, com consumo médio de 1,29 kWh por quilômetro rodado.
A substituição do diesel pela energia elétrica evitou, nesse período, a emissão de aproximadamente 1,76 mil toneladas de gases poluentes, volume equivalente às emissões associadas à queima de 657.428 litros de combustível fóssil. Os números reforçam o papel da eletrificação como uma das alternativas para reduzir o impacto ambiental do transporte coletivo e avançar na construção de uma matriz energética mais limpa.
A experiência acumulada nas três linhas 100% elétricas também contribuiu para ampliar o uso da tecnologia no sistema. Atualmente, as linhas 110 - Restinga Nova via Tristeza e 165 - Cohab também contam com ônibus elétricos em suas tabelas horárias, ampliando a presença dos veículos de emissão local zero na operação da Capital.
Mais Transporte - A eletrificação da frota integra o Programa Mais Transporte, conjunto de ações da prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU), voltado à qualificação e à modernização do transporte coletivo de Porto Alegre. O programa reúne iniciativas relacionadas à melhoria da operação, renovação da frota, inovação e sustentabilidade, tendo a transição energética como uma de suas principais frentes.
A experiência prática obtida desde 2024 também foi fundamental para o município avançar no planejamento de uma operação em maior escala. A prefeitura vem estruturando estudos e projetos relacionados à infraestrutura de recarga, considerando características dos veículos, autonomia, tempos de carregamento, capacidade instalada, operação das linhas e estrutura das garagens.
Em 2025, Porto Alegre foi selecionada para integrar, ao lado de outros quatro entes federados brasileiros, o projeto AcoplaRE, da agência de cooperação internacional do governo alemão Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH. A iniciativa oferece assessoria técnica especializada em estratégias de descarbonização urbana por meio da eletrificação do transporte público, contribuindo para o aprimoramento do planejamento municipal.
Fundo Clima - A partir da experiência acumulada e dos resultados obtidos na operação, a prefeitura avançou também na estruturação de um projeto de maior escala. Em 2026, foi firmado financiamento de R$ 447,7 milhões com o BNDES, por meio do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima (FNMC), o Fundo Clima, destinado à aquisição de 100 ônibus elétricos articulados a bateria e dos equipamentos necessários para a recarga dos veículos.
O investimento representa uma nova etapa na modernização da frota e na redução das emissões associadas ao transporte coletivo. A expansão, no entanto, exige planejamento integrado entre veículos, infraestrutura e operação, para que a tecnologia seja incorporada de forma eficiente, gradual e compatível com as características do sistema de transporte da Capital.
A SMMU também avalia outras alternativas de baixo carbono para o transporte coletivo, como veículos movidos a biocombustíveis, hidrogênio e sistemas híbridos. A estratégia busca reunir dados, experiência operacional e evidências técnicas para orientar decisões cada vez mais qualificadas sobre a modernização da frota.
Benefício da gratuidade - Nas linhas 100% elétricas, em projeto-piloto, os usuários do Cartão TRI têm direito à gratuidade na segunda passagem, caso embarquem em uma linha diferente até 30 minutos após desembarcar do ônibus elétrico. O benefício é concedido automaticamente, sem desconto do saldo do cartão.

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