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Paralisação de ônibus em Manaus: 80% da frota volta às ruas nesta terça-feira, diz Sindicato

  • G1 Amazonas
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

Retomada da operação ocorre horas após o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11) determinar que 80% da frota operasse nos horários de pico e 50% nos demais períodos.


Os ônibus do transporte coletivo começaram a voltar às ruas de Manaus na madrugada desta terça-feira (21), após a paralisação dos rodoviários iniciada na segunda-feira (20). Os primeiros veículos saíram das garagens por volta das 4h40. Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), cerca de 80% da frota está em operação.


O Sinetram informou que policiais militares permanecem nas garagens durante a liberação dos ônibus e que todas as empresas voltaram a colocar veículos em circulação.


A retomada da operação ocorre horas após o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11) determinar que 80% da frota operasse nos horários de pico e 50% nos demais períodos, sob pena de multa de R$ 120 mil por hora em caso de descumprimento.


Na manhã desta terça-feira, passageiros ouvidos pela Rede Amazônica nos Terminais 4 e 5 relataram os reflexos da paralisação. Muitos disseram que precisaram recorrer a carros por aplicativo para voltar para casa e saíram novamente preocupados com a possibilidade de uma nova interrupção do serviço.


O estudante Renan contou que não conseguiu encontrar ônibus após sair da escola na segunda-feira e precisou pagar por uma corrida de aplicativo. "Quando tem essas greves aumenta os preços, né. Aí fica complicada a situação", disse. Já nesta terça, afirmou que saiu de casa apreensivo, mas encontrou a circulação dos ônibus aparentemente normal.


O trabalhador da construção civil Elias também teve gastos extras. Ele desembolsou R$ 65 para voltar da Ponta Negra, na Zona Oeste, até a Zona Leste de Manaus. Segundo ele, o valor comprometeu praticamente toda a renda do dia.


"Foi um prejuízo, porque o dia de ontem praticamente foi só para pagar o Uber e voltar para casa", afirmou. Nesta terça, ele disse esperar que não haja uma nova paralisação. "Se tiver greve de novo é mais um prejuízo pro bolso."

Para o passageiro Onofre, a paralisação afetou diretamente quem depende do transporte coletivo. Ele contou que, na segunda-feira, só conseguiu chegar em casa perto da meia-noite. "A gente trabalha o dia todo cansado e, quando vem para casa, não tem um ônibus para trazer nós", disse.


A auxiliar de serviços Valdilane também enfrentou dificuldades para voltar para casa. Ela afirmou que precisou pegar uma carona e, depois, uma lotação para concluir o trajeto. Nesta terça-feira, saiu de casa novamente preocupada e disse que ainda aguardava a chegada do ônibus.


Apesar dos transtornos do dia anterior, o servidor público Jorge, morador do bairro Grande Vitória, afirmou que conseguiu chegar ao Terminal 5 sem dificuldades para seguir ao trabalho no Coroado. "Até o momento está tudo normal", relatou.


O que motivou a paralisação


De acordo com o Sindicato dos Rodoviários, a paralisação foi motivada pelo atraso no pagamento dos salários da categoria. Segundo o presidente da entidade, Givancir Oliveira, as empresas de ônibus descumpriram os prazos de pagamento previstos pela Justiça.


No início deste mês, o TRT-11 concedeu uma liminar determinando que as empresas paguem 40% dos salários até o dia 20 de cada mês — ou no dia útil anterior, quando a data cair em fim de semana ou feriado — e os 60% restantes até o quinto dia útil do mês seguinte. Segundo o sindicato, esse prazo não foi cumprido na segunda-feira (20).


Aulas municipais seguem normais; universidades adotam formato remoto


A paralisação do transporte coletivo não afetou o funcionamento das escolas municipais de Manaus nesta terça-feira (21), segundo a Secretaria Municipal de Educação (Semed). De acordo com a pasta, as 520 unidades da rede funcionam normalmente, com atividades pedagógicas mantidas.


A Semed informou que a maioria dos estudantes está matriculada em escolas próximas às residências, o que reduz o impacto da falta de ônibus no deslocamento dos alunos.


Já a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) adotaram atividades remotas nesta terça-feira para servidores e estudantes das unidades localizadas em Manaus.


A UEA informou que a medida vale para servidores administrativos, já que a instituição está em período de recesso acadêmico. A Ufam autorizou atividades acadêmicas de forma remota nas unidades da capital devido às dificuldades de deslocamento provocadas pela paralisação do transporte coletivo.

 
 
 

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